Neste encontro as meninas me entregaram os “portfólios”. Falamos sobre muitas angústias e problemas que ocorreram durante a semana. Logo, passamos para a exploração da Unidade 17 do TP5.
Esta Unidade 17, fala das variações lingüísticas e neste momento retomamos nossos alunos e percebemos que em nosso município existe um “dialeto” típico da zona rural e que reflete muito na escrita de nossos alunos.
Podemos utilizar como referência o tópico da pg 23: “ O sujeito aprende a sua língua em convívio com a família, amigos, pessoas que estão ao seu redor e participam do sue cotidiano. Em geral, o sujeito não tem consciência dessa “norma”, que ele vai internalizando no contato com os outros elementos do grupo”. O problema a ser salientado é quando o aluno não consegue perceber ou não quer perceber que a língua deve se adaptar em algumas situações, achando que não é necessário aprender as diversas funções que a língua exerce.
A escola ainda é percussora de um grande abismo: a distância existente entre a língua dos alunos e a língua dos compêndios gramaticais. Ou seja, muitos professores e parte administrativa, só conseguem pensar no “erro”, no ensino da norma-padrão e não valorizam a gramática já internalizada dos alunos e acabam achando que eles não sabem ou não estão recebendo boas aulas de português. O engraçado é que tudo sobra para o professor de Língua Portuguesa. Como diz um artigo da Revista Língua Portuguesa nº 19, pg.57:
"Por visar à sistematização da língua, a norma-padrão considera tudo o que é diferente dela como errado. Mas isso é um grande erro, o aluno falar “diferente” só será preocupante quando refletir na escrita. Na mesma Revista, pg 60 diz: As alterações na língua começam pela fala. Os textos escritos em geral refletem as mudanças da fala em descompasso, que se torna ainda maior quando se trata da absorção pela gramática.O processo de mudança linguística ocorre quando duas ou mais formas variantes entram em disputa e uma delas cai em desuso: primeiro há a variação histórica; depois, a mudança linguística em si. A forma preexistente ao processo de variação é chamada de “forma conservadora”; a forma da variação, de “forma inovadora”. Mesmo as mudanças linguísticas mais profundas são lentas e graduais, o que, por um lado, significa que, em algum nível, a língua está sempre mudando; por outro lado, a língua é a mesma, porque sua unidade permanece inalterada.
O britânico James Milroy, ao discutir o tema da padronização linguística — especialmente o fato de que ela não ser universal — afirma que o pensamento linguístico está contaminado por uma ideologia da língua-padrão, ou seja, uma perspectiva que confunde a língua com seu padrão, usando como exemplo as línguas europeias de amplo uso. Milroy lembra que muitos dos métodos e teorias em Linguística são elaborados tendo essas línguas em sua norma-padrão como referência e considera que essa ideologia inevitavelmente interfere na Linguística e na análise das línguas em geral".
O britânico James Milroy, ao discutir o tema da padronização linguística — especialmente o fato de que ela não ser universal — afirma que o pensamento linguístico está contaminado por uma ideologia da língua-padrão, ou seja, uma perspectiva que confunde a língua com seu padrão, usando como exemplo as línguas europeias de amplo uso. Milroy lembra que muitos dos métodos e teorias em Linguística são elaborados tendo essas línguas em sua norma-padrão como referência e considera que essa ideologia inevitavelmente interfere na Linguística e na análise das línguas em geral".
Assim é possível entender que urgentemente a escola deve dar prioridade absoluta para a leitura, para a escrita, a narrativa oral, o debate e todas as formas de interpretação ( resumo, paráfrase etc., e é nessa perspectiva que devem ser incluídas as variedades lingüísticas, retratando a língua por outras modalidades além da padrão.
Outro ponto importante desta unidade é o trabalho com o som das palavras: poemas, trava-línguas...; A importância do uso deste recurso para a demarcação de impressões e emoções.
São apontados vários trabalhos com as figuras de linguagem e novamente faz menção ao TP1, que ainda não foi trabalhado. O texto trabalhado na pg36, remete ao texto contido na Avaliação Diagnóstica da 5ª série, que utilizou o texto “ A duras penas”, onde o autor brinca com o significado das palavras. Outro texto no mesmo parâmetro é o Avançando na Prática da pg41, que é rico em sonoridade.
Esta Unidade relata na verdade, que existe elementos gramaticais na escrita e na fala, mas que muitas vezes, não são empregados pelo falante e que o não empregar tais estruturas, pode levar a uma imprecisão, pois os instrumentos gramaticais são responsáveis pela coerência. E neste momento fizemos uso de uma citação da Revista Na ponta do lápis – Edição Especial nº11, que diz que muitas vezes a escola está distante, não valoriza e até discrimina a realidade, a cultura do lugar. O trabalho fica aborrecido, provoca indisciplina, resistência. Os alunos, embora estejam dentro da mesma sala de aula, sentem-se excluídos. Uma maneira de evitar tal sentimento é o professor dialogar e abrir espaço para o ponto de vista do outro. Se o aluno está tendo bloqueios no falar e no escrever, devo me questionar enquanto educadora e verificar “Quais são os interesses dessa comunidade? O que sabe este aluno fazer de melhor? Aí sim, posso guiar este aluno para uma escrita e fala voltada para a ação sócio-comunicativa.
Na finalização de nosso encontro, realizamos a divisão da Unidade 18 e iremos aplicar o Avançando na prática da pg 105. Na semana próxima não teremos encontro, pois será o encontro em POA. As meninas estão ansiosas para saber o resultados de seus textos.
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