quinta-feira, 15 de outubro de 2009

02/10/2009 - Relato das Cursistas



Neste dia as meninas encontraram-se para apresentarem seus relatos da Unidade 17.

FABI:

SOCIALIZANDO O CONHECIMENTO – UNIDADE 17
ESTILÍSTICA

O estudo da unidade 17 - Estilística, busca enfatizar a questão do ESTILO. A palavra ESTILO faz parte do vocabulário cotidiano, o conjunto de características de um objeto, de uma época, elegância no jeito de se comportar ou se vestir. No domínio da linguagem, o seu entendimento merece um pouco mais de reflexão.

“O estilo é o resultado de uma escolha dos meios de expressão realizada pelo falante, nesse caso, e expressão de uma expressão individual”.
“O estilo liga-se às intenções do falante, ao efeito de sentido que ele quer produzir.”
“A emoção e a efetividade estão presentes no estilo.”

Diante dessas citações vale ressaltar que Estilística é o ramo da Linguística que estuda, analisa e reflete sobre as variações existentes na língua portuguesa de acordo com o contexto em que elas se revelam. É percebida nos relatos de diferentes fatos e nas diferentes formas de expressão, em que e pode concluir que é o modo como o falante constrói sua fala, como já disse José Roberto Torero, cada um é cada um.
Cabe ressaltar que independente da forma como cada indivíduo constrói sua fala, devemos levar em conta que a língua apresenta variações conforme grupos que a usem. Cada uma das variantes da língua usada por um grupo apresenta regularidades, recursos normais para aquele grupo, que constituem o dialeto e diante deste conceito temos vários dialeto: o regional, o social, o profissional, ...Já as marcas pessoais da língua de cada indivíduo, resultante do cruzamento de vários dialetos que constituem a fala são chamados de idioletos.
Como a Unidade apresenta um estudo das variações linguísticas, cabe transcrever a referência apresentada na pág.:23 que abrange a referida questão com mais clareza.
“A norma é a forma de cada grupo usar a sua língua, a forma que seus integrantes percebem como normal, ou comum ao grupo. O sujeito aprende a sua língua em convívio com a família, amigos, pessoas que estão ao seu redor e participam do seu cotidiano. Em geral, o sujeito não tem consciência dessa “norma”, que ele vai internalizando no contato com os outros elementos do grupo.”

A seção 2, desta Unidade salienta os recursos estilísticos que podem ser usados, o jogo de sonoridade das palavras, o aspecto lúdico das palavras, que o falante utiliza permitindo jogar, brincar tanto com os sons como com seus sentidos, deixando claro o estilo que cada falante utiliza como forma de expressão.
No plano sonoro, podem-se usar como recurso estilístico os fonemas, o acento, a entoação, a altura e o ritmo das sílabas, palavras e frases. No plano da palavra, a metáfora e a metonímia constituem importantes recursos de estilo, assim como a tonalidade emotiva das palavras que indicam a emoção, o sentimento do falante. A formação das palavras também é responsável pela expressividade. Portanto, os recursos linguísticos estão presentes no nível do som e da palavra, tanto no texto escrito quanto no oral.
Voltando ao que disse Jose Roberto Toreno, “cada um é cada um” percebemos esta realidade no dia a dia de nossas escolas. Professor e alunos, pais e comunidade em geral, apresentam cotidianamente seus modos peculiares de expressarem suas impressões acerca de tudo que acontece.
O estilo acaba sendo uma escolha pessoal porque perpassa pelo desejo de expor um pensamento, sentimento ou opinião e cada um possui um jeito particular de se manifestar.
É justamente pelo caráter humano e universal das manifestações estilísticas na linguagem que uma das definições mais citadas diz que “O estilo é o homem”.

SHEILA:

ESTILÍSTICA
Exploração da unidade

Seção 1 – Noção geral do que é estilística hoje.
A linguagem apresenta traços individuais. O estudo lingüístico é o modo como o falante constrói sua fala.
A língua apresenta variações, conforme o grupo que a use. O dialeto apresenta variantes da língua, regularidades usadas para determinada região ou para um grupo. E o idioleto são marcas pessoais da língua de cada indivíduo. Nesse contexto, consideramos que os nossos alunos apresentam um dialeto ruralizado, marca característica do município, a maioria dos alunos comete os mesmos “erros”, considerados inadequados diante do padrão culto da língua. Conforme citação da página 23, eles aprendem a sua língua com a família, amigos, pessoas que convivem. Em geral, eles não têm consciência da “norma”. Chegamos então à questão de quando o aluno não consegue ou não quer perceber quando podemos usar determinada linguagem, devendo ser adaptada às situações, de acordo com cada contexto. Como proceder?

Seção 2 – A estilística do som e da palavra
Percebemos que os recursos estilísticos no nível do som e da palavra estão presentes tanto no texto escrito quanto no oral. Quanto aos sons da palavra, podemos trabalhar com a leitura oral, poesias (ritmo), diálogos, trava-línguas, histórias em quadrinhos... Quanto aos recursos estilísticos da palavra, pode-se trabalhar a linguagem metafórica, a emoção na palavra, sugestionando o sentimento do falante. Aí entra o texto literário como um aliado fortíssimo, não descartando outros gêneros. O que vale lembrar é que podemos trabalhar esses recursos em conjunto, na oralidade e na escrita em diferentes gêneros textuais.

Seção 3 – A estilística da frase e da enunciação
A frase, dentro de um texto, apresenta uma unidade de sentido. A enunciação é a produtora de significados e nela se inclui a frase, aliás vários tipos de frases. Neste caso, podemos falar do discurso direto, indireto e o indireto livre. Esses discursos são recursos estilísticos utilizados na linguagem oral e escrita. Na oralidade, através da entoação. Na escrita, através da pontuação adequada, entoação, melodia, expressividade.

Obs.: Obrigada meninas pelo comprometimento de seus trabalhos. ( Sabrina Lourenço )

28/09 - 02/10/09 / Encontro GESTAR POA





 

  Com muito atraso, mas ainda em tempo, consegui hoje parar para colocar em dia minhas postagens.
  Bom, vou iniciar pelo encontro que tivemos em Porto Alegre, para a realização da segunda Etapa do Gestar. Este encontro ocorreu na semana do dia 28/09 à 02/10/2009, na Universidade UniRitter.

  28/09/2009
  O primeiro dia foi diferente do outro encontro que tivemos, pois já iniciou em sala de aula e acabei chegando um pouco atrasada. Quando cheguei, estava ocorrendo ainda a organização do Cronograma de Atividades para a semana. O Prof. Mau estava do mesmo jeitinho, sereno e com muita disposição, sempre apontando informações importantes e indicando ótimas leituras e filmes.
  Os apontamentos embasavam-se sobre os seguintes tópicos: O que ensinar? (conteúdo ), Como ? ( método e técnica ), Por quê?
  Depois de muitas discussões, partimos para as apresentações dos Municípios, cada formador deveria apresentar algo relativo ao Município e dizer sobre os acontecimentos e aplicações do Gestar com seus respectivos cursistas. O processo começou pelo Prof. Mau, que nos trouxe um vídeo do Legião Urbana. Foi excelente seus dizeres. Falamos sobre alguns estudiosos importantes ( Linguístas ). E algumas palavras do nosso Prof..., ficou em minhas anotações:
  " Não existe texto sem contexto. Meu dever oficial é ensinar a LP, a norma gramatical, mas meu aluno é atual, é de um século recente, então eu não mais me encaixo no modelo. É preciso renovar e me adaptar a uma nova LP = intertextualidade, transformar e não mais reproduzir. A LP é uma ferramenta de sobrevivência, é preciso alcançar a competência sociocomunicativa, mas como passar isso para meu aluno ?"
  Então depois de belos dizeres, foi apontado as Estratégias Mentais que meu aluno irá utilizar para alcançar a competência. Isso é verificar os DESCRITORES do texto, pois dar CONTEÚDO é muito fácil, está em qualquer livro didático e o professor COMODISTA  se apoia neste suporte, é preciso ser um professor MOTIVADO. Então, como fazer?, Existe uma lógica? Só você conhece seu aluno.
  Encerramos a manhã com a leitura do texto: "Quase" e a leitura de um poema.
  Na parte da tarde, partimos para a revisão do TP3 - GENÊROS TEXTUAIS e TIPOLOGIAS ( abre a possibilidade para que o aluno alcance o conhecimento ). Novamente entramos em alguns questionamentos: Como pegar o livro didático e fazê-lo "verdade"?. Aquilo que o aluno produz, deve sim ser registrado, está ligado à função.
  " As competências sociocomunicativas são aprendidas intuitivamente junto com as palavras e as estruturas da língua, mas também são inconscientes e devem ser aprendidas na escola e na sociedade".
  Fechamos o TP3 com o seguinte assunto:
  MODELOS DE COMPETÊNCIA = CHAVE = AVALIAÇÃO ( medir, punir, premiar, comparar????????)
  Entramos no TP4 - LEITURA, ESCRITA E CULTURA e LETRAMENTO
  Foi mencionado muitos tópicos, entre eles:
  " Reconhecer que a leitura e a escrita são um meio de incerção do indivíduo no meio letrado";
  " Mais do que entender, o meu aluno questiona, quer saber o porquê. Ele tem a capacidade de transformar a leitura e a escrita em práticas sociais";
  " O aluno letrado lê a realidade e modifica-a. Aluno prepositivo = propõe soluções".

  No TP5 - ESTILÍSTICA, COERÊNCIA TEXTUAL e COESÃO, verificamos mais alguns embasamentos:
  " Como deve ser trabalhado o texto e a produção textual em sala de aula". Também falamos sobre algumas atividades possíveis em sala de aula e vimos mais alguns vídeos, que por sinal, foram ótimos.
  Fizemos o fechamento do dia com mais algumas socializações e revisão do tema: Portfólio.

  29/09/2009
  Iniciamos o dia com a revisão do TP6 - ARGUMENTAÇÃO e LINGUAGEM. Partimos para algumas atividades em conjunto, pois era preciso: " entender o sentido razoável para se alcançar a lógica. Tudo o que eu produzo é argumentativo, então devo prezar pela qualidade".
  Logo, assistimos o vídeo de Frejat - que demonstrou o alcance dos objetivos. A importância das metas, dos argumentos.
  Então chegou o grande momento: minha socialização. Foi muito boa. Consegui expor o meu material e os portfólios das meninas, foi um sucesso!
  Foi passado a indicação do filme: " UP ".
  Depois do sufoco, na parte da tarde, lemos o texto " Nóis mudemo", que retrata a variação linguística e a noção do "erro" que é pregada pala GT. Ficou a seguinte questão: " Devo ratificar ou retificar meu aluno?"
  O equilíbrio é a melhor saída. O Prof. Mau mencionou que a escola com suas simulações, não consegue dar conta de toda a vivência do aluno, mas deve proporcionar possibilidades para que o aluno alcance essas modalidades. Então: " nóis fumo ou nós fomos?"
  A língua materna o aluno já conhece, ele precisa da novidade, da gramática, mas deve-se utilizar a bagagem do aluno como ponto de partida.

  O dia encerrou com mais socializações.

  30/09/2009 
  A manhã foi com a abertura do filme " O Leitor", que apresenta que é preciso pensar que assitir a um filme é muito mais que um lazer pedagógico e sim, uma leitura cinematográfica. Esta frase foi muito, mas muito importante para mim, pois em uma escola que trabalho, o trabalho pedagógico com o filme é visto com desprezo, como "matação" de aula, não importa a sequência e os objetivos que o professor tem com aquele filme. Até estou proíbida de passar filme nas minhas turmas e isso que só fiz isso duas únicas vezes este ano e com um Projeto embasado e devidamente praticado, com resultados bem significativos dos meus alunos. O pimeiro filme foi "Viagem ao centro da terra", de Júlio Verner e o segundo " Coração de Tinta", mas que coisa né...
  Bem, depois do desabafo, vamos seguir...; Logo depois do filme, foi apontado algumas questões: O porquê do título?; Qual o protagonista?; O apelido "menino" foi ironia ou carinho?
  Chegamos a conclusão que é importante a proposta da leitura para a construção do conhecimento. Que existia uma relação muito forte de Hanna com a leitura e com a escrita. Também verificamos, que o julgamento de Hanna só veio à tona quando o fato foi escrito em um livro, até então todos sabiam, mas nada foi apontado. O mesmo objeto que deu à libertação a Hanna, foi o objeto de seu suicídio.
  Na tarde iniciamos com uma breve retomada do TP6 e assitimos ao vídeo do Jô Soares "i" ( que refletiu a argumentação por exemplo, através de um argumento sentimental).
  Na pg.74 - Produção Textual, verificamos suas devidas etapas: planejamento, escrita, revisão e edição e neste momento realizamos atividades coletivas.
  Alguns tópicos ficaram expostos:
  " A escola geralmente pula duas etapas ( Planejamento e Edição); Todo o processo de escrita é uma prática de aquisição de conhecimento; O professor não pode trabalhar um texto de forma fria, deve ter sentimentos, para poder despertar no aluno o desejo de leitura".
  " O comportamento nosso quando é correspondente ao com que o outro espera, mesmo que seja inútil, gera resultados positivos, pois o ponto de partida é o outro".
 
  01/10/2009
  Tudo começou com uma atividade de imagens x palavras = leitura. Associa-se toda a bagagem que temos para tentar associar a leitura e noção de sentido. É preciso lembrar que o meu aluno não tem toda a nossa vivência, por isso somos nós que precisamos aguçar seus pensamentos.
  Logo partimos para o TP1 - VARIANTES LINGUÍSTICAS e INTERTEXTUALIDADE. Alguns tópicos foram discutidos:
  " Cada grupo apresenta valores, características e costumes próprios". Por isso o importante de se usar textos na íntegra  situações reais de comunicação. A Regra e a Linguística não são verdades absolutas, é preciso bom senso".
  Antes do almoço, mais algumas socializações e olha que lindo esta mensagem de uma de nossas colegas:

  " Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas". ( M. Quintana)

  Na parte da tarde, iniciamos com o vídeo do "Chico Bento" - para o apontamento das variações linguísticas e ficou mais um pensamento: " nada na língua é por acaso; a noção de "erro" tem suporte científico para a explicação"; " Tudo pertence a um processo de aprendizagem".
  Ao apontar SIGNIFICANTE X SIGNIFICADO, passamos novamente para uma socialização, pois o cansaço e o sono estavam batendo e graças à Deus, nossa colega Fabi fez uma dinâmica excelente, que fez todos darem muitas risadas e para esquentar o clima, descobrimos que o Prof. Mau estava de aniversário.

  02/10/2009
  O dia partiu com mais socializações, nossa colega Julici apresentou um trava-línguas que de forma alguma consegui decorar, mas ela foi ótima e também foi apontado que nós professores devemos ensinar humanamente. É ilusão pensar que tratamos todos os alunos iguais, pois eles são diferentes, com vivências e aprendizagens diferentes. Nossa colega também mencionou o texto de Rubens Alves " Gaiolas e Asas ". O Prof. Mau colocou no quadro uma frase ótima, pois nossos ânimos esquentaram e foi destinado um momento para colocarmos nossas angústias e sofrimentos e diante do relato de nossa colega Maristela, percebi que não tenho quase nada de problemas escolares se comparados com os dela. A frase foi a seguinte: " O desafio é a nossa motivação e o desaforo é a nossa energia". É através do crescimento do meu aluno, que eu ganho a minha recompensa. O Prof. Mau falou algo muito importante: " nós temos que ocupar espaços na vida de nossos alunos".
  Na exploração do TP2 - GRAMÁTICA, o assunto estava tentando acontecer, mas a agitação já era grande para as despedidas, pois muitas meninas tinham que ir para a Rodoviária e o Prof. Mau fez uso de uma palavra mencionada por mim que ele não conseguiu esquecer: "Meninas estou ficando atucanado..."
  Depois de um bom tempo..., o professor conseguiu apontar algumas observações relativas as gramáticas: que a lógica é perceber o suporte, o genêro, a adequação sociocomunicativa. É impossível aprisionar a língua, mas por outro lado, a gramática é ncessária para trazer um certo referencial. O que temos que perceber que a GN não é o ponto de início, meio e fim e sim, ela serve para dar um certo suporte.
  O ensino de LP requer estudo e atualização. Não podemos estabelecer barreiras, é necessário o equilíbrio.
  O encontro em POA terminou assim, com gostinho de quero mais, mas sinceramente não sei como será para sermos liberadas em Dezembro para o fechamento do curso. Acho que teremos problemas?!
 

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

25/09/2009 - Relato de nosso Encontro

  Neste encontro as meninas me entregaram os “portfólios”. Falamos sobre muitas angústias e problemas que ocorreram durante a semana. Logo, passamos para a exploração da Unidade 17 do TP5.
  Esta Unidade 17,  fala das variações lingüísticas e neste momento retomamos nossos alunos e percebemos que em nosso município existe um “dialeto” típico da zona rural e que reflete muito na escrita de nossos alunos.
 Podemos utilizar como referência o tópico da pg 23: “ O sujeito aprende a sua língua em convívio com a família, amigos, pessoas que estão ao seu redor e participam do sue cotidiano. Em geral, o sujeito não tem consciência dessa “norma”, que ele vai internalizando no contato com os outros elementos do grupo”. O problema a ser salientado é quando o aluno não consegue perceber ou não quer perceber que a língua deve se adaptar em algumas situações, achando que não é necessário aprender as diversas funções que a língua exerce.

  A escola ainda é percussora de um grande abismo: a distância existente entre a língua dos alunos e a língua dos compêndios gramaticais. Ou seja, muitos professores e parte administrativa, só conseguem pensar no “erro”, no ensino da norma-padrão e não valorizam a gramática já internalizada dos alunos e acabam achando que eles não sabem ou não estão recebendo boas aulas de português. O engraçado é que tudo sobra para o professor de Língua Portuguesa. Como diz um artigo da Revista Língua Portuguesa nº 19, pg.57:

"Por visar à sistematização da língua, a norma-padrão considera tudo o que é diferente dela como errado. Mas isso é um grande erro, o aluno falar “diferente” só será preocupante quando refletir na escrita. Na mesma Revista, pg 60 diz: As alterações na língua começam pela fala. Os textos escritos em geral refletem as mudanças da fala em descompasso, que se torna ainda maior quando se trata da absorção pela gramática.O processo de mudança linguística ocorre quando duas ou mais formas variantes entram em disputa e uma delas cai em desuso: primeiro há a variação histórica; depois, a mudança linguística em si. A forma preexistente ao processo de variação é chamada de “forma conservadora”; a forma da variação, de “forma inovadora”. Mesmo as mudanças linguísticas mais profundas são lentas e graduais, o que, por um lado, significa que, em algum nível, a língua está sempre mudando; por outro lado, a língua é a mesma, porque sua unidade permanece inalterada.
O britânico James Milroy, ao discutir o tema da padronização linguística — especialmente o fato de que ela não ser universal — afirma que o pensamento linguístico está contaminado por uma ideologia da língua-padrão, ou seja, uma perspectiva que confunde a língua com seu padrão, usando como exemplo as línguas europeias de amplo uso. Milroy lembra que muitos dos métodos e teorias em Linguística são elaborados tendo essas línguas em sua norma-padrão como referência e considera que essa ideologia inevitavelmente interfere na Linguística e na análise das línguas em geral".


  Assim é possível entender que urgentemente a escola deve dar prioridade absoluta para a leitura, para a escrita, a narrativa oral, o debate e todas as formas de interpretação ( resumo, paráfrase etc., e é nessa perspectiva que devem ser incluídas as variedades lingüísticas, retratando a língua por outras modalidades além da padrão.

  Outro ponto importante desta unidade é o trabalho com o som das palavras: poemas, trava-línguas...; A importância do uso deste recurso para a demarcação de impressões e emoções.
  São apontados vários trabalhos com as figuras de linguagem e novamente faz menção ao TP1, que ainda não foi trabalhado. O texto trabalhado na pg36, remete ao texto contido na Avaliação Diagnóstica da 5ª série, que utilizou o texto “ A duras penas”, onde o autor brinca com o significado das palavras. Outro texto no mesmo parâmetro é o Avançando na Prática da pg41, que é rico em sonoridade.
  Esta Unidade relata na verdade, que existe elementos gramaticais na escrita e na fala, mas que muitas vezes, não são empregados pelo falante e que o não empregar tais estruturas, pode levar a uma imprecisão, pois os instrumentos gramaticais são responsáveis pela coerência. E neste momento fizemos uso de uma citação da Revista Na ponta do lápis – Edição Especial nº11, que diz que muitas vezes a escola está distante, não valoriza e até discrimina a realidade, a cultura do lugar. O trabalho fica aborrecido, provoca indisciplina, resistência. Os alunos, embora estejam dentro da mesma sala de aula, sentem-se excluídos. Uma maneira de evitar tal sentimento é o professor dialogar e abrir espaço para o ponto de vista do outro. Se o aluno está tendo bloqueios no falar e no escrever, devo me questionar enquanto educadora e verificar “Quais são os interesses dessa comunidade? O que sabe este aluno fazer de melhor? Aí sim, posso guiar este aluno para uma escrita e fala voltada para a ação sócio-comunicativa.
  Na finalização de nosso encontro, realizamos a divisão da Unidade 18 e iremos aplicar o Avançando na prática da pg 105.   Na semana próxima não teremos encontro, pois será o encontro em POA. As meninas estão ansiosas para saber o resultados de seus textos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A Parábola do Lápis - Motivação

Este vídeo é para todos os Educadores que amam o que fazem e que prezam o respeito por seu trabalho e por seu aluno.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PREPARAÇÃO PARA O ENCONTRO DE AMANHÃ...

Hoje está sendo uma correria, pois estou ajustando os últimos procedimentos para o encontro de amanhã, que será o último antes da Segunda Etapa do GESTAR em POA. Então arrumei relatórios, liguei para SMED para verificar locomoção até POA na segunda-feira, documentos a serem enviados via Fax e por fim, um texto que levarei para o encontro com minhas cursistas, na tarde de sexta-feira. Espero que com este texto possamos refletir muito sobre nosso papel como educadoras e que possamos entender os resultados das Avaliações de Entrada do Gestar.

Marcas de Batom no Banheiro...

Em uma escola pública estava ocorrendo uma situação inusitada: uma turma de meninas de 12 anos que usavam batom, todos os dias beijavam o Espelho para remover o excesso de batom.

O diretor andava bastante aborrecido, porque o zelador tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia. Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam às mesmas marcas de batom...

Um dia o diretor juntou o bando de meninas no banheiro e explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam. Fez uma palestra de uma hora. No dia seguinte as marcas de batom no banheiro reapareceram...

No outro dia, o diretor juntou o bando de meninas e o zelador no banheiro, e pediu ao zelador para demonstrar a dificuldade do trabalho. O zelador, um negro de 2m de altura por 1 m de largura, imediatamente pegou um pano, molhou no vaso sanitário e limpou o espelho.

Nunca mais apareceram marcas no espelho!

Moral da história: Há professores e há educadores...

Comunicar é sempre um desafio!

Às vezes precisamos usar métodos diferentes para alcançar certos resultados.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

21/09/2009 - CRÔNICA PARA REFLETIR...

Este material recebi de minha cursista Fabiana, que encontrou em seus materiais uma crônica bem pertinente com nossos últimos assuntos nos encontros: E a gramática, como fica no ensino?
O gigôlo das Palavras ( Luís Fernando Veríssimo )

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão!"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrológios e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua, mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa! Com que cuidados com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.
Acho que é bem fácil uma reflexão sobre esta maravilha lida. Devemos saber onde buscar o certo, em quais lugares e fontes de pesquisas devemos recorrer, mas nunca deixar "regras" podar nosso poder de criação. Primeiramente devemos escrever e deixarmos nos levar pela imaginação, ou quem sabe, inspiração e logo depois, ir para uma reeleitura e devidos consertos. Isso é saber escrever!

sábado, 19 de setembro de 2009

18/09/2009 - Oficina Nr.º 8

Nosso encontro começou assim... As meninas estavam anciosas para mostrar suas atividades do Avançando na Prática.

Neste encontro realizamos nossa Oficina nrº 8 e depois colocamos as pendências em dia e organizamos os procedimentos para o resto da semana.

Ao iniciarmos a Oficina, partimos para alguns pontos determinantes das Unid. 15 e 16. Assim, criamos vários tópicos que resumiram-se da seguinte forma: " existe a necessidade de um direcionamento por parte do professor, em algumas situações, para ajudar o aluno a chegar a uma compreensão melhor do texto que está sendo trabalhado. Essa ajuda pode envolver entonação, vocabulário, demarcação das ideias principais do texto, ou seja, coisas que serão útil ao educando no percurso do melhor entendimento da leitura. Também zelar pelos conhecimentos prévios de nossos alunos, bem como a escolha correta dos materiais para com ele serem trabalhados. Se houver a necessidade, realizar uma leitura compartilhada, com perguntas instigadoras, que busquem reflexão e não esquecer, de possibilitar que os próprios alunos possam criar seus questionamentos, mostrando suas habilidades. Observar o caminho que o aluno percorre durante a leitura, pois o texto além de ser lido, deve provocá-lo, ocasionando uma sequência de perguntas e hipóteses. O aluno durante a leitura, deve perceber a estrutura do texto que está lendo, para que assim, possa reconhecer o gênero. Então, o professor não deve deixar o seu aluno isolado nesta busca."

Outro ponto que salientamos muito, foi a mesagem da pg. 55 do TP4: " Leitura e escrita para além das aulas de português...". Até que ponto somente é dever do professor de Língua Portuguesa realizar este mapeamento com os alunos durante a leitura? Citamos casos em nossas escolas, de colegas de outras disciplinas que chegaram a mencionar que nossos alunos não sabiam interpretar, porque não estavam tendo boas aulas de português. De que aulas será que eles falam? Cópias? Quantidades maçantes de gramática nos cadernos?...

Ficamos sem respostas.

Após os desabafos, passamos para a análise dos Avançando na Prática e das duas Unidades, achamos todos muito práticos, principalmente o da pg. 133 - realização de uma página de diário e a dos Cartões Postais. As turmas adoraram realizar as tarefas.

Surgiram muitos assuntos e passamos para a abordagem do seguinte tema:

" O aluno nasce com competência e dom ou pode ser desenvolvidos com o tempo?"

Salientamos que o importante é os alunos perceberem que utilizamos a língua portuguesa oral e escrita, para nos comunicarmos em situações sociais diversas. Desta forma, devemos enquanto educadores, auxiliar e fornecer experiências e estratégias de leitura e escrita na escola, para que percebam que tais atividades estão engajadas nos seus mundos reais, visando torná-los mais competentes em relação aos seus desempenhos culturais e sociais. Aqui é importante salientar a última parte da Oficina, que apresenta um Anúncio de crianças que realizaram desenhos do que queriam ser quando chegassem a fase adulta. Todos tinham sonhos de ser grandes profissionais e que mesmo morando em uma periferia, isso era possível, pois se temos sonhos e educação de base, alcançamos nossos objetivos. Este material é muito rico para trabalharmos em sala de aula, é uma oportunidade para que os alunos notem que para se chegar a um objetivo, é preciso dedicação, esforço e principalmente, muito estudo e em relação a nós educandas, faremos nossa parte para esta construção de SONHOS!

Na segunda parte da oficina, relatamos nossas experiências em relação ao Avançando na Prática da pg.194 da Unidade 16 e todas tiveram o mesmo resultado: alunos satisfeitos com a atividade e até Sheila e Fabi comentaram que o difícil foi eles quererem criar apenas um cartão, pois terminam um e logo queriam fazer outros. Nós realizamos a troca dos cartões e os alunos poderam realmente sentir que esta atividade tinha um objetivo, que era a escrita, a criação e o seu uso social, uma vez que eles estavam enviando para pessoas reais, outros alunos de outras escolas e isto foi muito legal. A primeira foto são os cartões dos alunos da 5ª série da Fabiana e a foto dois, são dos alunos da 5ª série da Sheila. As minhas fotos já foram expostas anteriormente.